quinta-feira, 11 de março de 2010

Mesecina


20 de Abril de 1992


“Falta cumprir o Sol.” – Foi o primeiro e o último objectivo que escrevi delicadamente no meu caderno vermelho de papel grosso, cheirava tão agradavelmente bem que conseguia reter a parte fragmentária do cheiro que fica no cérebro, durante largos e meticulosos segundos sem pensar na frase que acabara por, inconscientemente, me obrigar a executar.
Às vezes, comparo o meu nariz, e outros instrumentos corporais, a uma máquina fotográfica que rouba pedaços da natureza e transforma-a em informação um tanto bidimensional para eu, ser humano, fazer juízos de valor quanto à amabilidade da coisa.
Já lá vai quase uma gravidez de tristeza e, ainda sem ter parido algo que se notasse, algo que pudesse condicionar a minha vida toda, vou procurando viver cada dia sem grandes enjoos. O sangue do meu cálice não é divino e, por isso, devo procurar o astro rei sozinha. Se o meu filho não se virar contrariamente ao meu sentido de gravidade, se o meu corpo não preparar, passo por passo, todas as condições naturais de um parto, como conseguirei viver a um aborto?!
A lua há-de cumprir-se, um dia, e, sem que note, trará a morte do meu pior lado simétrico e o acasalamento só com uma das partes.


A hibridez termina às seis e quarenta e nove minutos da manhã.


Apontamentos novos

domingo, 28 de fevereiro de 2010



Já não havia indícios de luz natural cá fora, apenas um conjunto de candeeiros de rua antigos iluminavam e, arduamente, aqueciam o frio que se tinha instalado. Era Inverno, Alice procurava desenfreadamente pelo seu telemóvel, como o fazia sempre que chegava a casa, na esperança de que alguma coisa, naquele aparelho insensível, indicasse com certeza o que poderia acontecer, assim que entrasse na porta velha de ferro. E, em silêncio permaneceu o instrumento tecnológico, sem nada que fosse importante de se mostrar, voltou para o seu sítio inicial. Com medo, Alice entrou em casa.
Esperava-lhe um ambiente falso, mas quente – “Vá lá que ao menos está quente cá dentro” – pensou. “Menos mau”, e continuou na sua forma desconfortável de todos os dias pousar a sua mochila e cumprimentar os seus pais. De facto, o seu irmão era a única pessoa com quem se sentia estranhamente confortável, dada a sua semelhança incandescente que ele tinha com o seu pai, mas este de forma muito mais infantil, era suportável. Sentava-se no quarto, na ânsia de possuir um pensamento diferente do que o que lhe era habitual apercebe-se de que não tem nada melhor para fazer, o prazer que sentia nas coisas tinha desaparecido. Nem mesmo tentar acções que lhe faziam feliz, lhe davam satisfação. Estava doente. Não obstante, prosseguiu no seu mar das coisas, afinal o pior já tinha passado e não queria voltar a pisar o caminho dos fracos.
Abriu o “Processo”, e, não lendo, imaginou a leitura à sua maneira:
Tio do josef k: Mas meu sobrinho, com um processo desses como podes reagir dessa forma??!

Josef K: De que outra forma poderia reagir, meu tio? Fui apanhado de surpresa, e, sabendo que nada tenho a ver com isto, continuo neste mar das coisas, rio-me para dentro, mas vou com eles, não me apetece reivindicar uma coisa com gente que não pensa como eu e que não vai lá por mais palavras que discutamos, de que me adianta? Eles têm mais poder do que nós. Vou esgotar-me?! Não, vou viver-me...para dentro, na minha própria liberdade.
Subitamente, Alice soltou um sorriso. Josef K. sabia exactamente o que ela pensava, ele compreendia-a.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

13 de Fevereiro de 1992

Alternava de forma aleatória os pés, como me fora ensinado em criança; respirava com dificuldade cada cheiro (mais pesados que os outros) sobre a brisa que dava chapadas frias nas caras pecadoras, fitava com desdenho cada imagem, sem as estar a ver na realidade, desfocava-as e dava-lhes movimento, o meu movimento. Era mais solene do que aquele que qualquer outro ser humano podia visualizar e, por isso, a qualquer outro não chamava a atenção.
Tropecei numa rocha mal colocada, corri um bocado com a ansiedade de acelerar o processo, rodei o meu corpo e foquei um banco castanho e triste, sozinho e anestesiado com o cheiro a urina que o ar trazia para perto dele. Sentei-me numa parte que considerei limpa, após vários segundos de análise, sosseguei-me e parti. De repente, fiquei petrificada, apenas o corpo não se mexia, porque o resto estava completamente ligado, deslocadamente do mundo.
Sorri ironicamente, pois estava a ter um prazer que mais ninguém conseguia ver. Via imensas pessoas que conhecia correrem a alta velocidade, na minha direcção, a rasgarem-me a carne (que não me doía) e a entrarem-me dentro. Senti a força de cada uma delas e, mesmo assim, sentia-me fraca. Nada resolvia esta minha loucura consciente, nada parecia conseguir libertar-me dos momentos que pareciam eternos, vividos a dois, comigo.
A mesma não vontade de aqui estar persegue-me desde o belo dia em que nasci. Tecnicamente, esse dia ainda não chegou, pois faltam precisamente dois meses e oito dias, para que me obrigassem a vir. Com ventosas coladas ao meu cérebro; puxar-me-iam, até que conseguissem arrancar-me do ventre da minha mãe. Talvez, tenham tirado a pessoa errada, ou, então, algo de mim ficou lá e não veio.
Acendi uma vela e apaguei as luzes, sentei-me perto dela, não muito para que o ar que expiro não a matasse, contei-lhe um segredo a uma certa distância, fechei os olhos e, mesmo assim, o calor continuava igualmente excitante. O fogo não discriminava os meus assuntos mais profundos, nem me envergonhava perante uma existência vergonhosa e hostil.
Nunca soube escrever sobre isto, sobre o que vou dizer a seguir: Tenho saudades de o ter comigo. Vou aprendendo a viver desta maneira, com alguma aversão a respirar e a realizar cada ponto da minha desmazelada rotina, vou acendendo de vez em quando uma vela para me lembrar de alguém sem problemas em estar comigo, a três. Vejo-a apagar, vejo o seu fumo a ir embora e lembro-me de gozarmos com os sinais de fumo, quando queríamos comunicar. Vou pondo no meu presente, o passado e, não gozando o futuro, vou fazendo da história um tempo morto…

domingo, 10 de janeiro de 2010

Alberto Caeiro

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus.
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada.
(O que ficaria?! Os mais mundanos objectos.)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

23 De Junho de 1956




(Continuação de uma carta à existência)


Sentei-me na poltrona voltada para a janela, na poltrona não, era uma simples cadeira de plástico cor garrida, verde (penso eu) bem agarrada ao chão pelas mãos da senhora gravidade, responsável por dar muito peso aos meus pensamentos, que tão altivamente nascem dentro de mim. Sempre que quero voar, a existência não deixa. Mas, por sua vez, quando durmo, que é algo muito parecido à morte de qualquer ser vivo, ela adormece também e, a senhora de que te falei, simplesmente desaparece. Com isso, outra “gravidade” se apodera do nosso voo e, como livres pássaros brancos, sobrevoamos os terrenos tão bem controlados pelo inconsciente. Se Deus for alguma coisa, ele será o inconsciente. Tal como aquele objecto que serve prioritariamente para alguém se sentar, estava para a janela, eu sentei-me e, obrigatoriamente, voltei-me para a luz. Parecia que ela estava à minha espera, naquele preciso momento, parecia que tinha preparado cuidadosamente cada passo, que se sentia feliz ao passo que o meu corpo realizava metodicamente sem se questionar; e fui eu pensar que era vontade…
Girei a cabeça de acordo com o ângulo que a beleza fazia girar. Às vezes, o mais belo está mais perto do que imaginámos; dizer que o ser criador de tudo isto é híbrido, não deve ser apenas uma fala. É verdade que não me recordo das fracções de segundos que os meus olhos demoraram a captar tal imagem, pois esses, não foram mais do que o tempo utilizado para realizar uma dentre muitas outras das faculdades que o Homem possui e, por isso, embalada pela rotina, deixei-me ir, sem reparar em pormenores. Não obstante, posso garantir-te, com todas as certezas que a minha existência deixa provar, que os minutos a seguir ficaram-me minuciosamente gravados e, ocupam, hoje, o mesmo espaço que as memórias de toda uma vida que foi minha.
Hoje senti-me una e completa. Sabes, querida existência, hoje é talvez o dia que te vais recordar melhor, um dia. Hoje não te censuro, não te critico e também não te rogo pragas, vamos dançar, agora. Hoje é quase ontem, mas sinto-o tão perto. Não por ter sido um ordinário dia, mas pelo rompimento da estranha aparição num dia tão ordinário como este.
Lembro-me de ver, pelo canto do olho direito, uma garrafa de vodka; estava quase vazia, mas o corpo envidraçado permanecia robusto. Foi então, que me surgiu o breve dos mais breves pensamentos: Do facto de estar quase vazia, não implicava que não pudesse ser cheia de novo. Seria pouco provável, porque sempre era mais fácil comprar uma nova do que encher a velha. Mas, por que outra razão o corpo permaneceria forte, naquele quarto?! Depois deste momento reflexivo, os meus olhos viram o que poucos neste mundo ousaram focar.
As nuvens escorregavam no céu azul, deslizavam como os pés que vão fazer desporto nas neves da Suécia, brevemente, ao passo que o manto azul se misturava com o negrume de algumas formas estranhas brancas e cinzentas, a chuva lacrimejava sem parar, de forma objectiva, de forma que os meus olhos a pudessem ver e não fosse apenas a metáfora dos cem poetas que gostariam de ter presenciado o que vi, hoje. Estava eu, portanto, sentada; ao meu lado jazia uma virgem sem cor com um filho ao colo, do mesmo lado, um pouco mais acima, a garrafa de rótulo pouco colorido, de frente, uma janela que só abria um quarto (mais tarde explicar-te-ei porquê) e, dentro da janela havia o mundo. Mais perto, estava uma linha de comboio com menor movimento que as normais, por trás e ao lado, jaziam umas árvores nuas, completamente. Atrás de todo este cenário, estavam casas, muitas casas, tantas que nenhuma se sobressaía. Pronto, acabei de descrever-te de forma inútil a paisagem que vislumbrei. E de forma inútil o homem descreve cada prazer. Porque cada prazer é uma coisa à parte.
Fiquei uma, duas, três, quatro eternidades, no máximo, parada, com a imagem focada no olhar, mas renovada a cada segundo e não, como acontece sempre, memorizada e percepcionada posteriormente. Pela primeira vez na vida, senti-me, da maneira mais livre, presa a uma paisagem.
Toda a minha vida estava congestionada ali, tanto temporalmente, pela intensidade do momento, como metaforicamente. Os presságios de que outrora te tinha falado na generalidade apareciam, agora, naquele lugar, relacionados comigo, e só comigo.
Conseguia sentir o cheiro do ferro da linha de comboio, não porque fosse possível cheirá-lo, mas porque de tão constantemente ter sido visionada na minha cabeça, o seu odor tornar-se tão familiar, por ser, intelectualmente criado. [Com esta vontade, poderia ter criado o mundo, sem o saber.] A janela que timidamente ousava abrir um quarto do seu quarto para que fora predestinada, sorria sorrateiramente ao meu olhar; pois, era impossível tocar-se com a morte, a beleza que o rectângulo mostrava, para isso, bastava a linha e o comboio. A virgem, abaixo de mim, mostrava-me o passado que ficou ligeiramente abaixo e a minha superioridade perante a inutilidade daquelas figuras cristãs. A vodka, uma das únicas bebidas alcoólicas que me agrada, estava ali, pousada, mostrando a porta do sonho, aquela que abro sempre que preciso de sair de ti. Agora, aparte todas as outras coisas que não consigo descobrir, pigmeus que completavam todo o meu quadro, jazia o céu. Tão azul. Embora, o tempo estivesse encoberto, a felicidade dentro de mim era tal que os meus olhos aumentaram a luminosidade de toda aquela experiencia estética. E, a certa altura, a chuva que caía lá fora, sem me magoar, reflectiu-se nos meus olhos, sem ter sido uma vontade aparentemente minha, começaram a arder. Depois, incharam de forma ridícula conjuntamente com o meu peito; senti o mar a fazer-se.
Perante toda aquela harmonia, perdi as forças de que tu me dotas. Mais uma prova, para constatar a embriaguez do demiurgo, é que também eu, encontrando-me depressiva, perco-as, igualmente.
Lembro-me, vagamente, de ouvir uma música por trás. Mas o som soava-me tão desfigurado que o melhor era o do meu corpo em funcionamento. Aquela imagem tinha mais objectivos do que aqueles que sou capaz de identificar, agora. Por isso, te digo que recordar-te-ás muito bem, mais tarde, do dia que já foi ontem.
(De forma extensa e inútil, termino o que não está acabado. Compreende, existência, que isto era demasiado para a Linguagem.)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

21 de Julho de 1996



A noite caiu tão facilmente naquele dia, mais do que em qualquer outro; o desespero de rompe-lo era animalesco, completamente instintivo e, tal era o manto preto que cobria o maravilhoso céu que a luz humana era ineficaz para se ver o que se tinha de ver. Os olhos tentavam, como pinças alienadas, buscar pedaços de luz no meio da escuridão insensível; estes precisavam de ver, como o ser humano de respirar.
Ela escrevia, delicadamente, uma carta; daquelas que só se escrevem uma vez na vida. À luz das velas, com o calor a bater-lhe na cara e os sentidos a comunicarem-lhe sentimentos impelidos de se manifestarem na loucura que arrebatava a sua mente insana, respirava forçadamente, como quem respira pela última vez e, com o coração inchado, perto de sofrer um ataque neurasténico gravíssimo, ia-se lembrando das frases que cuidadosamente memorizou dos seus autores prestigiados e queridos. A vela ia a meio, poder-se-ia dizer, também, que a meio estava de perder o seu objectivo primórdio da sua existência, mas ela, ela não estava a meio, nem de longe, nem de perto; ela estava no fim. Não via objectivos próximos e, também, não queria lembrar-se de nenhum. Procurava alguns, a curto prazo, tal como este: a carta.
Olhou instintivamente para a janela e, não vendo nada, viu a sua vida reflectida no vidro sujo. Realmente, não mais do que a escuridão era a vida de qualquer pessoa, pois se alguém não se quer lembrar das coisas boas por conveniência, as memórias más não trazem a luminosidade gasta de uma boa. Ela não sabia que a sua vida era a de todos. De facto, nunca tinha aprendido a gostar. E, como a noite persistia em ficar, vislumbrava-se furiosamente no vidro da janela, especada. Esperava ter uma revelação, mas isso não seria mais que o desenrolar da carta que afinal escrevia. Que revelação poderia ela ter, senão aquela que não quer? Se éramos só uma a pensar, haveria, justamente, para cada uma, um pensamento. Se ela tivesse sido outra, eu seria mais feliz.
Eram duas velas, com os mesmos objectivos, colocadas antepostas sobre o mesmo ângulo, servindo o mesmo propósito, no mesmo local, à mesma hora. Acendidas ao mesmo tempo, iam-se queimando à medida que as palavras nasciam no papel. Pois a duração de ambas não fora igual. E, igualmente, não foram os seus pensamentos. O fogo ia decidindo como queria queimar e, alguém em mim decide agora o que ela, possivelmente, escreveu.
Tal era o papel branco, pousado sobre a secretária branca no quarto escuro, iluminados, realçados naquele quadro pitoresco, de uma verdadeira natureza inteligível. Dizia assim: “Sinto-me lamentavelmente só; não é um sentir vulgar, mas uma solidão irreversível. Sou como um quadro, estática e profunda. A minha beleza é tão relativa como pessoal, cada um sabe o que vê, e não é sempre a mesma coisa, pois os pensamentos diversos dos olhos que viram algo são sempre distintos. Há quem só veja o que quer, e, mesmo não existindo tal coisa, imagina-a. Viaja literalmente pelo prazer da imaginação e ama o que não é real e objectivo. O verdadeiro amor é esse. O ser híbrido, criador deste mundo, também fez dois amores. Um que é contornado com a imaginação, que é mais sonhado do que realmente presenciado. Este é fugaz, não obstante, é aquele que pode levar o ser humano ao ponto mais alto do cume “prazeiresco”, e não fosse tudo o que é maravilhoso ser de curta duração. Aqui reside, principalmente, a essência de tudo o que é incontrolável; procurámos neste amor, razões, erradamente. E, desta maneira, tentámos reinventarmo-nos, como seres novos que amam cada dia mais, naqueles dias que amamos menos. Neste pequeno amor, amamos exageradamente mais o papel da relação que possuímos, por isso, baseados nos desejos inerentes à nossa pessoa, criamos o amor que merecíamos e, dos confins do inconsciente, deixamos libertados pedaços de sonhos tão forçadamente pretendidos. Mas, é no outro amor que conseguimos os ingredientes indispensáveis à construção dos sonhos. Um dia disseste-me uma coisa e, no outro dia partiste. Um dia escrevo uma coisa, e no outro partirei. (…)”

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Existence? 1934



À minha querida inócua existência:

Espero que consigas dormir confortavelmente durante a noite, porque é na noite que não existo e que te rogo pragas por existires. Espero, também, que a tua inofensiva consciência te pese tanto, que te faça destituir do cargo; pois, confesso-te, como nunca antes o tinha feito, que tu és uma idiota. De facto, tu nem sequer existes, eu é que existo, da melhor forma que consigo e tu, nem da melhor, nem da pior. És hipócrita e vanglorias-te perante todas as inexistências materiais como sendo aquela que vive, que toca e que respira. Não obstante, sou quem não toca e já não consegue respirar mais. Pára de olhar para os outros, ou melhor para a existência dos outros, e vê, como nunca antes viste, a louca na qual me tornaste. E, no final de contas, conseguirás adormecer no leito da tua cama luxuosa de veludo em direcção à eternidade; e sou eu quem não consegue dormir à noite! E sou eu, quem tem de pagar se quiser ter direito ao pano vermelho, macio… Sou eu quem não mente, ao contrário de ti. Fazes-me escrever uma carta dirigida a uma entidade que não existe, chamada existência, na loucura dos teus trabalhosos dias, para que me perca nos enleios do pecado e diga o que penso em cada momento. Mas este momento em que escrevo, é um entre muitos dos que me deste e outros que virão inevitavelmente. Eu existo e, existindo, não posso fugir da loucura que me devora ao passo do medo que cresce. Tenho vergonha de mim, por tua culpa. E, por tua culpa, escrevo todas as razões das minhas culpas, a minha existência.
Tu existes, apenas porque tens de existir. Um dia convidaram-te e um dia ficaste para outro dia voltares num outro contrato. És eterna e eu não. Eu sofro e tu não (afinal de contas, sempre há um “não” na tua vida).


Da tua querida amiga que sempre te acompanhará:
(qualquer coisa)